"Ando devagar/porque já tive pressa..."

"Ando devagar/porque já tive pressa..."
"Nessa loooonga estraaaaada da viiidaaa..."

Blog destinado a narrar as vivências do autor, através de suas opiniões sobre fatos vividos, e de marcações cronológicas, objetivando deixar para descendentes e amigos suas impressões sobre passagens de sua vida, abrangendo pessoas com sd quais se relacionou e instituições em que laborou, tudo com a visão particular, própria de todo ser humano, individualizada, pois cada pessoa tem sua forma de pensar, ser e viver. Madeira

segunda-feira, 23 de junho de 2008

vivencias-madeira-cronológica (1983/1)


No Brasil, a pilantragem sempre rende bons frutos...


1983: mais uma vez mudanças fortes acontecem no meu viver. João Baptista da Motta, conhecido de primeira hora no Espírito Santo, que apoiou-me integralmente na minha chegada aqui e na doença e transplante de Terezinha, resolveu candidatar-se ao cargo de prefeito municipal da Serra, onde havia nascido, na área praiana, em Nova Almeida. Procurou-me e convidou-me para ser secretário municipal de admistração na gestão dele, caso se elegesse, alegando pouco conhecimento de administração pública e a bagunça dessa área na prefeitura, pois lá estava um prefeito populista (um lulinha). Disse-lhe que eu só iria se, vencidas as eleições por ele, eu conseguisse minha liberação oficial da CST, com garantia de meu emprego quando quisesse voltar, por qualquer motivo. Pois ele ganhou as eleições e conseguiu minha liberação, o que foi uma surpresa para mim, pois fui chamado na sala do presidente da companhia, Dr. Arthur Carlos Gerhardt dos Santos, e liberado com documento oficial para tanto. Lá fui eu no início desse ano fazer parte da equipe de governo (muito boa, por sinal), e pegar um pepino imenso para descascar: salários atrasados cinco meses e décimo-terceiro não pago, isto tudo na data de nossa posse, dia 31 de janeiro. Encontrei uma vaca na porta da prefeitura, alugada aquela pela gestão anterior para distribuir leite para os pobres do município (esta foi a menor das aberrações). Fiz a vaca sumir e cancelei essas e todas as demais benesses populistas e demagógicas existentes. O prefeito Mottinha, assim era e é conhecido, se já estava apavorado, pois o antecessor era homem de conluios e suspeito de ações violentas, apavorou-se mais e eu o acalmei, lembrando que era só fazermos as coisas claras e sem maldade, e nada iria nos acontecer de mal. Na época eu dava aulas na FAESA (e continuei), e era conselheiro do CRA/ES (conselho regional de administração no ES), e trouxe para chefiar as cinco seções a mim subordinadas (pessoal, compras, transportes, material e almoxarifado) cinco admnistradores formados, honestos, de confiança. Arrochamos os gastos, com controle de tudo (gasolina, manutenção de viaturas, telefone, licitações, horários de trabalho); enfim, de todos os ralos pelos quais poderia sair o dinheiro, e em conjunto com o secretário da fazenda, um dos homens mais honestos que conheci, Seu Erix, em quatro meses colocamos os vencimentos em dia. Para isto tive de me expor, mas nada aconteceu, porque tudo era feito às claras, sem conchavos, olho no olho. Consegui, através da procuradoria do município, a anulação de um concurso público somente para cargos de nível superior, fajuto (no qual as provas tinham sido levadas para casa pelos inscritos, o que foi provado através dos depoimentos de quem acompanhou o concurso), feito para amigos/parentes do prefeito da época, e mandei demitir quase mil pessoas, fruto de admissões feitas através de carteira de trabalho assinada no dia da eleição (no entanto, pagamos todos os direitos trabalhistas, ou seja, os dias trabalhados, os proporcionais, demissão etc). Nessa brincadeira economizamos com cerca de mil e poucos vencimentos mensais. Foi trabalhoso, mas foi fácil, bastou fazer com que as leis fossem cumpridas. A prefeitura, que tinha mais de 2.500 funcionários, ficou enxuta, rodando direitinho, com pouco menos de 1.500. A partir daí, logo após o meio do ano, contatei o IBAM (instituto brasileiro de assistência aos municípios), órgão técnico de elevado nível, dominador de todas as ações de caráter científico de planejamento e direção municipal, e começamos a trabalhar em uma nova estrutura para a organização local, objetivando torná-la ágil, moderna e inovadora, para diminuir a burocracia e atender melhor os munícipes. Estava indo bem demais para ser verdade. Mais ou menos em outubro fui chamado para uma reunião extra com o prefeito, e lá deu-se a merda. Naquele tempo a legislação não exigia concurso público para o serviço público. Sob a justificativa de facilidade para contratar e também para demitir os incompetentes, os acessos eram por carteira de trabalho assinada e a critério dos prefeitos (só podia dar merda), e as prefeituras, estados e a própria União viraram cabides de emprego, e todas as primeiras viviam com os vencimentos atrasados pelo excesso de pessoal, gente apaniguada dos prefeitos, vereadores e de seus amigos. Essa foi uma grande cagada da Revolução, corrigida na Constituição Federal de 1988. Nessa reunião o Mottinha, após muitos rodeios, explicou-me que não aguentava mais a pressão dos vereadores e do pessoal da campanha dele, e precisava nomear algumas pessoas. Pedi um tempo para terminar a consultoria do IBAM, mas ele disse que não podia dá-lo. De imediato disse-lhe que eu não assinaria nenhuma carteira e que ele me exonerasse para fazê-lo. Ele pediu-me então para eu trocar de cargo e passar a ser coordenador-geral da prefeitura, cargo que consistia em acompanhar os trabalhos das secretarias, assumindo o meu lugar na Administração o sub-secretário, o que topei até pôr a cabeça em ordem. Em 30 de novembro a CST fez o seu start-up e começou a funcionar, a ser uma siderúrgica, e depois de conversar com Terezinha voltei para a CST, onde fui muito bem recebido, pois lá estavam empilhados ene estudos esperando por minha volta, para a nova situação de usina em operação, sem ter mais operários de construção civil em seu interior, somente empregados técnicos. Resumo de um ano como secretário de administração da Serra: em dois meses o novo secretário contratou mais de duas mil indicações políticas, e mais, a frente começou a atrasar os vencimentos de novo e eu perdi mais um amigo, pois nunca mais falei com Mottinha. Mas, mais uma vez não capitulei perante o imoral, o ilegal. Madeira

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